O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no domingo que anunciará novas taxas de tarifas sobre os semicondutores importados na próxima semana, acrescentando que condições flexíveis seriam oferecidas para algumas empresas do setor.
A declaração do presidente sugere que a exclusão de smartphones e computadores da lista de produtos sujeitos a tarifas recíprocas sobre importações chinesas provavelmente será temporária. Trump destacou que seu objetivo é "reiniciar" o comércio no setor de semicondutores.
"Queremos que muitas empresas tragam a fabricação de chips, semicondutores e outros eletrônicos de volta aos EUA", disse Trump a jornalistas a bordo do Air Force One durante seu retorno a Washington de sua propriedade em West Palm Beach.
Trump não especificou se os smartphones seriam definitivamente excluídos das novas tarifas, mas acrescentou: "É preciso manter certa flexibilidade. Ninguém deve ser muito rígido".
Mais cedo no mesmo dia, ele anunciou o início de uma investigação sobre a segurança das cadeias de suprimento no setor de semicondutores.
"Estamos analisando semicondutores e toda a cadeia de suprimentos de eletrônicos como parte de investigações futuras de segurança nacional", escreveu Trump nas redes sociais.
Na sexta-feira, a Casa Branca anunciou isenções temporárias de altas tarifas recíprocas, oferecendo esperança ao setor de tecnologia de evitar novas restrições. A decisão também visava evitar o aumento de preços de produtos do cotidiano, como telefones e laptops.
No entanto, o secretário de Comércio Howard Lutnik afirmou que novas tarifas para produtos tecnológicos críticos da China, incluindo semicondutores, serão impostas nos próximos meses.
O anúncio das tarifas de Trump na semana passada causou grandes flutuações no mercado de ações. O índice S&P 500 caiu mais de 10% desde o início da presidência de Trump.
Lutnik também informou que tarifas especiais sobre smartphones, computadores e outros dispositivos eletrônicos estão previstas, funcionando paralelamente às tarifas de semicondutores e produtos farmacêuticos. Segundo ele, as novas taxas superarão as atuais tarifas de 125% impostas sobre as importações chinesas.
"Sim, certos produtos foram isentos de tarifas recíprocas, mas estarão sujeitos a novas restrições sobre semicondutores em um mês ou dois", observou Lutnik na ABC.
Em resposta, a China também aumentou suas tarifas sobre produtos americanos para 125%. Pequim afirmou que está atualmente estudando o impacto das novas exceções para produtos tecnológicos.
"O sino no pescoço do tigre só pode ser removido por quem o colocou lá", comentou o Ministério do Comércio da China.
Enquanto isso, o investidor bilionário Bill Ackman, que apoiou Trump, pediu que ele suspendesse as novas tarifas por três meses. Em sua opinião, isso permitiria que as empresas americanas transferissem suas operações de fabricação da China sem pressa.
Sven Heinrich, fundador da empresa analítica NorthmanTrader, criticou fortemente as ações da administração Trump, afirmando que a constante mudança de retórica dificulta a vida dos negócios:
"As empresas americanas não podem planejar ou investir quando a posição oficial muda todos os dias."
A senadora Elizabeth Warren chamou a situação das tarifas de exemplo de "caos e corrupção", e não de uma política comercial bem pensada.
Também foi divulgado que os EUA publicaram uma lista de produtos temporariamente isentos de tarifas adicionais. A lista inclui computadores, laptops, drives de disco, chips de memória, displays planos e outros eletrônicos.
O conselheiro comercial da Casa Branca, Peter Navarro, confirmou que os EUA propuseram à China retomar as negociações, embora tenha acusado Pequim de usar cadeias de suprimento para espalhar fentanil.
O representante comercial Jameson Greer afirmou que atualmente não há planos de organizar negociações entre Trump e Xi Jinping, mas há esperança de firmar acordos com outros países.
O bilionário Ray Dalio expressou preocupação de que tal política tarifária possa levar os EUA à recessão ou até a uma crise econômica ainda mais profunda.