A Meta Platforms está trabalhando ativamente para atrair parceiros externos para financiar a infraestrutura em larga escala necessária para o desenvolvimento da inteligência artificial. Na quinta-feira, a empresa anunciou planos de vender ativos de data centers no valor de US$ 2 bilhões como parte dessa estratégia.
Esse movimento reflete uma tendência mais ampla entre os gigantes da tecnologia, que tradicionalmente financiavam a expansão de infraestrutura por conta própria, mas agora precisam buscar novas fontes de capital devido ao rápido aumento dos custos de construção e energia dos data centers, essenciais para a IA generativa.
No início da semana, a Meta informou que está explorando parcerias com instituições financeiras para desenvolver infraestrutura conjuntamente e financiar parcialmente seus grandes gastos de capital previstos para 2025.
“Estamos explorando oportunidades de parceria com instituições financeiras para o desenvolvimento conjunto de data centers”, disse a diretora financeira da Meta, Susan Li, durante uma teleconferência após a divulgação dos resultados trimestrais na quarta-feira.
Embora a empresa planeje continuar financiando a maior parte dos gastos por conta própria, Li afirmou que alguns projetos podem receber financiamento externo significativo para proporcionar maior flexibilidade caso as necessidades de infraestrutura mudem.
Até o momento, a Meta não fechou acordos para anunciar publicamente, mas seu relatório trimestral apresentado na quinta-feira já inclui medidas concretas: em junho, a empresa aprovou um plano para vender parte dos ativos de data centers e reclassificou US$ 2,04 bilhões em terrenos e construções em andamento como “mantidos para venda”.
A transferência dos ativos para terceiros para desenvolvimento conjunto é esperada dentro dos próximos 12 meses. A Meta não registrou perdas com a reclassificação, já que os ativos foram avaliados pelo menor valor entre o custo contábil ou o valor justo menos custos de venda. Em 30 de junho, o valor total dos ativos mantidos para venda era de US$ 3,26 bilhões.
A Meta recusou-se a comentar detalhes adicionais sobre o processo.
O CEO Mark Zuckerberg já havia delineado planos para investir centenas de bilhões de dólares na criação de “superclusters” de data centers baseados em IA, que devem servir como base para o desenvolvimento de superinteligência artificial.
“Apenas um deles tem o tamanho comparável ao de Manhattan”, destacou.
Na quarta-feira, a Meta elevou o limite inferior da previsão anual de despesas de capital em US$ 2 bilhões, para uma faixa de US$ 66 a 72 bilhões. Além disso, a empresa reportou receitas de publicidade melhores do que o esperado, impulsionadas por avanços na entrega e segmentação de conteúdo com IA. Segundo a liderança, esses ganhos ajudam a compensar parcialmente os custos crescentes de infraestrutura relacionados ao desenvolvimento da IA a longo prazo.