As ações da Klarna subiram 30% em sua estreia em Nova Iorque, avaliando a fintech sueca em 19,65 bilhões de dólares. Isso encerrou uma longa espera pela listagem e destacou a recuperação do mercado de IPOs nos EUA.
Os papéis abriram a 52 dólares em comparação com o preço de oferta de 40 dólares. A Klarna, que opera no modelo “compre agora, pague depois” (BNPL), liderou a onda de sete empresas que planejam estrear na bolsa esta semana. Entre elas está a corretora de criptomoedas Gemini, dos irmãos Winklevoss. Isso pode marcar a maior semana de IPOs nos EUA em anos.
A empresa e seus investidores venderam 34,3 milhões de ações a 40 dólares cada, acima da faixa indicada de 35–37 dólares. O IPO avaliou a Klarna em 15,1 bilhões de dólares. “Esta é uma oportunidade para novos acionistas e para nossos 111 milhões de consumidores fazerem parte de uma jornada que está transformando a indústria financeira”, disse o diretor financeiro da Klarna, Niklas Neglen.
Entre os acionistas-vendedores estavam a Sequoia Capital e o empresário dinamarquês Anders Holch Povlsen (Heartland A/S), que arrecadaram 1,17 bilhão de dólares. O CEO Sebastian Siemiatkowski, dono de cerca de 7% da empresa, não vendeu ações.
A Klarna tornou-se a maior empresa sueca a entrar no mercado americano desde o Spotify, em 2018. No auge, em 2021, foi avaliada em 45,6 bilhões de dólares, mas já no ano seguinte caiu para 6,7 bilhões devido à inflação e ao aumento das taxas de juros.
Analistas destacam que o sucesso da estreia pode inspirar outras empresas de fintech a realizar ofertas públicas, embora exista o risco de um “superaquecimento” do mercado.
BNPL em foco
Fundada em 2005, a Klarna transformou-se em um player global do BNPL, permitindo que consumidores dividam seus pagamentos em parcelas. A demanda cresceu após a pandemia de COVID-19 e, agora, o serviço atrai clientes que enfrentam alta inflação e pressão sobre a renda.
A concorrente Affirm tem uma capitalização de 29 bilhões de dólares, e suas ações subiram 45% neste ano. O tíquete médio de compras na Affirm é de 276 dólares, contra 101 na Klarna. A Affirm foca em compras maiores com financiamento de longo prazo, enquanto a Klarna trabalha com valores menores.
Embora a empresa tenha sido lucrativa nos primeiros 14 anos, recentemente registrou prejuízos devido à expansão nos EUA. Siemiatkowski afirmou que a prioridade agora é gerar mais valor para os clientes atuais, e não expandir a base.
Analistas esperam que o BNPL continue a ganhar participação sobre os cartões de débito graças à crescente demanda por pagamentos flexíveis.